Publicado em: 12 de agosto de 2026 às 16:10
Um vídeo divulgado pelo governo de Donald Trump, sob o lema ‘A dominância das Américas nunca será questionada de novo’, gerou reações adversas nos Estados Unidos. Enquanto integrantes do Partido Republicano defenderam a mensagem, membros do Partido Democrata expressaram duras críticas.
Essa exata frase reflete o núcleo da nova estratégia geopolítica do governo de Donald Trump.
O Departamento de Estado dos EUA divulgou um vídeo oficial reafirmando essa postura rigorosa. O governo americano declarou textualmente que, sob a nova estratégia de segurança nacional, a dominância norte-americana no Hemisfério Ocidental não será mais contestada.
Essa visão é baseada em três pilares principais:
- A “Doutrina Donroe”
A estratégia funciona como uma espécie de “Corolário Trump” para a histórica Doutrina Monroe de 1823 (cujo lema era “América para os americanos”). Apelidada informalmente por Trump como a “Doutrina Donroe”, ela foca em excluir agressivamente qualquer influência de potências rivais de fora do continente — como a China e a Rússia — sobre portos, recursos energéticos e infraestruturas na América Latina.
- A Operação Absolute Resolve
O grande marco prático dessa doutrina ocorreu em janeiro, quando as forças armadas dos EUA executaram uma operação militar na Venezuela. A ação resultou na captura e envio do ditador Nicolás Maduro para o solo americano para responder por acusações de narcoterrorismo. No próprio vídeo institucional do governo, esse episódio é citado explicitamente como o exemplo mais recente de como os EUA pretendem exercer o controle regional.
- Impacto e Tensões com o Brasil
Essa postura tem gerado profundas divisões diplomáticas na região. Enquanto governos alinhados, como o de Javier Milei na Argentina, apoiam formalmente as ações americanas, outros países reagem com forte cautela. O Brasil, por exemplo, vem resistindo ao que enxerga como uma ingerência de Washington e enfrenta tensões diretas com a Casa Branca em disputas comerciais e tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apresentação e Reações ao Vídeo
O vídeo, apresentado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, destaca eventos históricos desde o século 19 até os dias atuais, incluindo a captura de Nicolás Maduro. Em uma declaração incluída no vídeo, Trump afirma que ‘a dominância norte-americana no hemisfério ocidental nunca será questionada de novo’.
A resposta ao vídeo foi polarizada. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, reforçou a relevância da Doutrina Monroe, mencionando a ‘doutrina Donroe’. Por outro lado, o senador democrata Paul Strauss criticou o uso do termo, considerando-o uma distorção dos princípios anticoloniais originais da Doutrina Monroe.
Críticas e Defesas Partidárias
A deputada Delia Ramirez, de Illinois, condenou o vídeo como ‘propaganda imperialista’, destacando os efeitos negativos históricos da Doutrina Monroe na América Latina. Em contraste, o deputado Carlos Gimenez, da Flórida, expressou apoio à mensagem, ecoando o movimento MAGA com a frase ‘Faça as Américas Grandes de Novo’.
Ed Martin, aliado de Trump, insistiu na importância de compreender a doutrina histórica e enfrentar seus opositores. A mensagem de dominância no continente não é nova, conforme já foi veiculada na conta oficial do governo dos EUA.
Contexto Histórico: A Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe, anunciada em 1823 pelo então presidente James Monroe, estabelecia que as potências europeias deveriam evitar novas colônias ou interferências políticas nas Américas. Em troca, os EUA prometiam não se envolver em conflitos internacionais. Essa política foi uma resposta às ameaças de expansão colonial europeia no continente.
Em tempos recentes, a doutrina tem sido revisitada e reinterpretada, gerando debates sobre seu significado e aplicação no cenário político atual.
O vídeo do governo Trump sobre a hegemonia americana nas Américas continua a dividir opiniões nos Estados Unidos. Enquanto alguns veem a reafirmação da Doutrina Monroe como uma necessidade estratégica, outros a consideram uma ameaça aos princípios de autodeterminação e soberania dos países do hemisfério ocidental. O debate reflete as complexas relações históricas e políticas entre os EUA e seus vizinhos continentais.
