Redação/ Foto: Arquivo
Publicado em: 5 de novembro de 2026 às 18:16
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, em meio a um grande escândalo financeiro, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026. A decisão ocorreu em meio a um processo de impeachment iminente e a uma grave crise financeira desencadeada pela quebra do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país.

Resumo dos principais acontecimentos

O estopim da crise:

O Banco Central paraguaio interveio no Ueno Bank por problemas de solvência. Isso provocou o congelamento de contas e fundos de previdência pública, afetando cerca de 3 milhões de correntistas — o equivalente a 60% da população adulta do país.

Ligação com o presidente:

Santiago Peña já havia sido acionista do grupo controlador da instituição. Diante do colapso e de protestos massivos nas ruas de Assunção, a oposição e até membros de seu próprio partido político (Partido Colorado) se uniram para abrir um processo de impeachment.

A renúncia:

Na manhã desta quinta-feira, enquanto a Câmara debatia a destituição, Peña divulgou um vídeo com sua carta de renúncia. Ele afirmou que tomou a decisão para garantir a estabilidade e a paz social do país.

Quem assume o governo:

O vice-presidente, Pedro Alliana, deve assumir a presidência para completar o restante do mandato, previsto para terminar em 2028. O processo de impeachment que também visava Alliana foi rejeitado pelos deputados.

Desfecho político e jurídico:

Apesar da renúncia de Peña, a Câmara paraguaia decidiu dar prosseguimento ao julgamento político de impeachment contra o ex-mandatário. Pela constituição do país, ex-presidentes tornam-se senadores vitalícios (sem direito a voto) e mantêm foro privilegiado, exceto se forem destituídos por julgamento político. Além disso, a Procuradoria paraguaia já ordenou a prisão de executivos e o bloqueio de bens de envolvidos nas irregularidades do banco.