Redação / Fotos: Arquivo
Publicado em: 5 de novembro de 2026 às 19:36
A saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil para os Estados Unidos ocorreu logo após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no final de outubro, e está sob intensa investigação.
O parlamentar deixou o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento e a entrega de seus passaportes no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Flávio Bolsonaro não cumpriu a ordem e viajou antes de ser monitorado ou de qualquer mandado de prisão ser emitido.
A Rota e a Logística da Viagem
De acordo com dados de órgãos migratórios e apurações da Polícia Federal:
Fronteira terrestre: Flávio e sua família saíram de Brasília e cruzaram a fronteira do Brasil com a Argentina de carro pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, na noite de terça-feira, 27 de outubro.
Voo privado: O grupo decolou do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, em um jato de luxo Gulfstream G400 fretado da empresa Baires Fly. O voo custou 150 mil dólares (cerca de R$ 800 mil) e foi pago por um intermediário nos EUA via conta empresarial americana.
Escala e Destino: O avião fez uma parada técnica de meia hora em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami, na Flórida, sem passar pelo espaço aéreo brasileiro. O senador teria utilizado um passaporte italiano para embarcar.
Suspeita de “Extração Internacional” e Apoio Político
A Polícia Federal investiga se a saída foi uma operação coordenada de extração internacional planejada com antecedência para burlar a vigilância.
Envolvimento estrangeiro: Reportagens do The New York Times e do Wall Street Journal apontam que Jason Miller, conselheiro de Donald Trump, ajudou a providenciar o jato, e que o próprio Trump autorizou diretamente a entrada de Flávio nos EUA por motivos “humanitários”. Na Argentina, Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, teria dado suporte operacional na fronteira.
A versão de Flávio: Em entrevista ao The New York Times, Flávio Bolsonaro negou categoricamente ter recebido ajuda de governos estrangeiros e disse que o plano foi todo dele. Declarou que considerava sua prisão inevitável caso ficasse no Brasil. Sobre a logística exata da fuga, afirmou: “Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”.
Repercussões no Brasil e nos EUA
No Senado: O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, informou que vai avaliar a situação do parlamentar, já que Flávio viajou sem notificar a Mesa Diretora e chegou a participar de votações (como a da PEC da Segurança Pública) de forma remota pelo celular. Aliados do Partido Liberal (PL) passaram a classificar o episódio como um “exílio político” para afastar a narrativa de crime.
Nos Estados Unidos: O cenário político local pode impactar a permanência de Flávio no país. Após as eleições legislativas (midterms), a vitória dos Democratas no controle da Câmara e do Senado aumentou a pressão sobre o Departamento de Estado americano, dificultando medidas de Trump para estender o visto do senador, conceder green card ou dar status diplomático.
Abaixo, assista às reportagens e análises sobre o monitoramento da rota e o desdobramento das investigações da Polícia Federal:
A Polícia Federal (PF) concentra suas investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro em duas frentes principais: as suspeitas financeiras que motivaram as ordens judiciais e a logística da sua saída do Brasil.
- A Logística da Saída do País (Operação de “Extração”)
A PF apura se a viagem rumo aos Estados Unidos foi uma operação coordenada de extração internacional, planejada previamente para burlar as autoridades.
Participação de Agentes Estrangeiros: Os investigadores analisam o possível envolvimento de figuras internacionais. Registros migratórios mostraram que um cidadão israelense, ex-membro do serviço de inteligência, entrou no Brasil pouco antes da viagem. Além disso, duas vans cruzaram a fronteira argentina com apenas sete minutos de diferença: uma levando a família de Flávio e outra transportando um advogado e o cidadão israelense.
Uso de Documentos: A PF investiga as irregularidades no embarque. Flávio teria apresentado um passaporte italiano para sair da Argentina, mas ao chegar em Miami utilizou o passaporte diplomático brasileiro, que já havia sido cancelado por ordem do STF após o descumprimento do prazo de entrega.
Financiamento do Jato: O voo no jato fretado da empresa Baires Fly custou 150 mil dólares (cerca de R$ 800 mil). A PF busca identificar o verdadeiro financiador da logística, que foi paga por um intermediário de aviação nos EUA por meio de uma transferência bancária de uma conta empresarial americana.
- Os Inquéritos no STF (Causa das Medidas Cautelares)
A ordem do ministro Alexandre de Moraes para apreender os passaportes do senador baseou-se em relatórios da PF que apontam crimes financeiros:
Lavagem de Dinheiro com Casas de Apostas: A PF investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A apuração aponta que o senador agiria como um “usuário máster” de cartões de contas ligadas à empresa Alcazar (de Tomaz) no Banco Santander, movimentando valores suspeitos de evasão de divisas ligados a plataformas de apostas estrangeiras. A defesa contesta e apresentou ofício do banco negando o vínculo financeiro.
Financiamento do Filme ‘Dark Horse’: Outro inquérito corre em paralelo para apurar possíveis irregularidades e lavagem de dinheiro no financiamento do filme de temática política Dark Horse. A suspeita recai sobre o uso de recursos disponibilizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A defesa de Flávio Bolsonaro recorreu ao STF pedindo a revogação da retenção dos passaportes e solicitando a suspeição do ministro Alexandre de Moraes, alegando que o magistrado e sua esposa possuem relações comerciais indiretas com ativos ligados aos investigados.
Análise levanta hipótese de operação internacional para retirar Flávio do Brasil. PF tenta esclarecer em relatório.
Considerações Finais
A evolução contínua dos acontecimentos em relação ao tema saída reforça a necessidade de acompanhar as atualizações do setor.
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