Por: Moisés Laureano de Santana
Advogado – Especialista em Direito Público, Tributário e Eleitoral
Publicado em: 27 de julho de 2026 às 18:05
Fotos: Reprodução
Entenda por que as Eleições 2026 representam um ponto de virada decisivo para o futuro do Brasil. A política acompanha a humanidade desde as primeiras formas de organização social. Muito antes dos Estados modernos, diferentes povos já tomavam decisões coletivas para administrar conflitos e definir lideranças. Com o passar dos séculos, essas práticas evoluíram e deram origem aos sistemas democráticos contemporâneos.
Contudo, a democracia não é um processo acabado: ela se fortalece ou se enfraquece conforme a participação da sociedade e à medida que o país se aproxima do pleito municipal e nacional os ânimos e a polarização ficam mais evidentes.
A Evolução Histórica da Democracia e do Direito ao Voto
Na Antiguidade, especialmente na Grécia, surgiram as primeiras experiências de participação popular. No entanto, apenas uma pequena parcela da população possuía direitos políticos.
Ao longo dos séculos, movimentos sociais, revoluções e lutas por igualdade ampliaram o direito ao voto, incorporando:
- Trabalhadores e operários;
- Mulheres;
- Pessoas negras e minorias historicamente excluídas.
A trajetória eleitoral no Brasil
No Brasil, a caminhada até a soberania popular enfrentou fases profundas de transformação. Desde o período imperial até a redemocratização, o país passou por:
- Voto censitário: restrito por renda e bens;
- Eleições indiretas e autoritarismo: períodos sem voto direto;
- Redemocratização: garantia das liberdades políticas com a Constituição Federal de 1988.
A “Carta Cidadã” consolidou esse marco ao afirmar no artigo 1º, parágrafo único, que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.
As Leis que Garantem a Soberania Popular nas Eleições 2026
A estrutura eleitoral brasileira é amparada por um conjunto de regras rígidas para garantir o pluralismo e a lisura dos processos.
- Constituição de 1988 (Art. 14 e 17): Estabelece o sufrágio universal e o voto direto e secreto, além de garantir a liberdade e o funcionamento dos partidos políticos.
- Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) e Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997): Disciplinam o processo eleitoral, estabelecendo limites para campanhas, propaganda, financiamento e prestação de contas.
- Lei da Ficha Limpa (LC nº 135/2010): Ampliou os mecanismos de proteção da moralidade administrativa para garantir candidaturas éticas no pleito.
Desafios Contemporâneos: Tecnologia, Informação e Ciência Social
No cenário internacional e nacional, a democracia enfrenta novas dinâmicas. O avanço das redes sociais, a circulação massiva de desinformação, o uso da inteligência artificial e a polarização exigem um eleitorado cada vez mais crítico.
As perspectivas das ciências humanas sobre o voto:
Por que as Eleições de 4 de Outubro de 2026 Serão Decisivas?
Em 4 de outubro de 2026, a responsabilidade do eleitorado brasileiro vai além da escolha de nomes nas urnas. Votar significa definir os rumos do desenvolvimento nacional, a gestão das políticas públicas e os projetos de sociedade para os anos seguintes.
O voto consciente exige:
- Acesso a informações de qualidade e apuradas;
- Análise crítica das propostas dos candidatos;
- Respeito às diferenças e compromisso com a ordem constitucional.
Perfil de Eleitores e Candidatos vs. Passado
A transformação na base representativa do país redefine a disputa atual:
- Inclusão Massiva: O colégio eleitoral supera 155 milhões de eleitores aptos, um contraste radical com a República Velha, onde menos de 5% da população votava devido a restrições de alfabetização e gênero.
- Cota de Gênero e Raça: Partidos enfrentam exigências mais severas para a distribuição proporcional do financiamento de campanha e cotas mínimas para candidaturas femininas e de pessoas negras.
- Fiscalização Cidadã: O eleitorado conta com estatutos simplificados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral para denunciar práticas ilícitas.
Fake News e Inteligência Artificial nas Eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras rigorosas em 2026 para conter o avanço de conteúdos enganosos:
- Uso Proibido de Deepfakes: É terminantemente proibido o uso de tecnologias hiper-realistas para forjar vozes ou rostos de candidatos.
- Rotulagem Obrigatória: Qualquer propaganda eleitoral que utilize IA generativa precisa exibir avisos claros e acessíveis ao eleitor.
- Apagão Tecnológico na Véspera: O TSE veda a publicação ou o impulsionamento de novos conteúdos gerados por IA nas 72 horas anteriores ao pleito e nas 24 horas seguintes.
- Sanções Severas: O descumprimento gera ordens de remoção imediata e multas que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.
- Regras Eleitorais (Cláusula de Barreira e Federações)
As regras de desempenho partidário visam diminuir a fragmentação de siglas no Congresso:
- Cláusula de Barreira Mais Rígida: Partidos precisam alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal em nível nacional (distribuídos por um terço dos estados) ou eleger o mínimo de 13 deputados federais.
- Perda de Recursos: Legendas que não atingirem a meta perdem direito ao Fundo Partidário e ao tempo de TV e rádio.
- Consolidação por Federações: Para sobreviver ao corte, partidos se unem em federações (como a Federação Brasil da Esperança ou PSDB-Cidadania), atuando de forma unificada por pelo menos quatro anos.
- Perfil de Eleitores e Candidatos vs. Passado
A transformação na base representativa do país redefine a disputa atual:
- Inclusão Massiva: O colégio eleitoral supera 155 milhões de eleitores aptos, um contraste radical com a República Velha, onde menos de 5% da população votava devido a restrições de alfabetização e gênero.
- Cota de Gênero e Raça: Partidos enfrentam exigências mais severas para a distribuição proporcional do financiamento de campanha e cotas mínimas para candidaturas femininas e de pessoas negras.
- Fiscalização Cidadã: O eleitorado conta com estatutos simplificados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral para denunciar práticas ilícitas.
A democracia não se encerra no dia da votação — pelo contrário, ela marca sim, o início de um novo ciclo de fiscalização, cobrança e acompanhamento dos representantes eleitos.


