Mercado financeiro
Publicado em: 11 de janeiro de 2026 às 15:43
Fotos: Reprodução
O que parecia ser apenas mais uma liquidação extrajudicial no sistema financeiro brasileiro transformou-se no maior teste de estresse das instituições republicanas na última década. O Banco Master, sob o comando de Daniel Vorcaro, encontra-se no epicentro de uma tempestade que une suspeitas de fraudes bilionárias a uma rede de influência que escala até o Palácio do Planalto e as poltronas aveludadas do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Queda do Gigante de Papel
Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master após identificar um rombo estimado em R$ 12 bilhões. As investigações da Operação Compliance Zero apontam para uma “fábrica de créditos podres”: a instituição teria inflado seu balanço com títulos falsos e precatórios superestimados para mascarar a insolvência.
No entanto, o que deveria ser um rito técnico tornou-se uma guerra política. A prisão de Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Malta, foi o gatilho para uma contraofensiva sem precedentes contra a autoridade monetária.
O “Lobby de Ouro”: Lula, TCU e a Pressão Política
A apuração aponta que a rede de contatos de Vorcaro não possui cor partidária, mas o governo Lula tem sido apontado como um dos pilares de contenção da crise. Relatos indicam que o ex-ministro Guido Mantega chegou a interceder diretamente com o presidente para evitar a bancarrota. Mais recentemente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atuou nos bastidores junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para mitigar os danos da liquidação.
A investida mais ousada partiu do ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, que tentou suspender os efeitos da decisão do BC. A manobra foi vista pelo mercado como uma tentativa de “ressuscitar” o banco à força, desafiando a autonomia técnica do Banco Central. Embora o TCU tenha recuado após forte pressão do mercado, a digital política ficou exposta.
O STF e a “Acareação do Impossível”
Enquanto o BC luta para manter a higidez do sistema, a elite do Judiciário envia sinais ambíguos. O ministro Dias Toffoli determinou uma acareação inédita entre Vorcaro e diretores do Banco Central. Para auditores da autoridade monetária, a medida é uma forma de “constrangimento público” contra técnicos que apenas cumpriram o seu dever legal.
Jantares na mansão de Vorcaro em São Paulo, que contaram com a presença de ministros do STF e caciques do Congresso, alimentam a percepção de que o Banco Master não era apenas uma instituição financeira, mas um clube de influência.
“Estamos diante de um fenômeno de captura regulatória e política”, afirma um analista do setor financeiro que preferiu anonimato. “Quando um banco quebra por fraude e o Estado se mobiliza para salvar o banqueiro e não os poupadores, a democracia entra em cheque.”
O Contra-ataque Digital
A Polícia Federal descobriu evidências no celular de Daniel Vorcaro de que o banco financiou uma rede de influenciadores e robôs para atacar a reputação do Banco Central e de jornalistas investigativos. A estratégia visava criar uma narrativa de “perseguição política” para justificar uma intervenção judicial favorável.
O que vem a seguir?
Com a recusa do TCU em prosseguir com a inspeção temerária e a consolidação das provas pela PF, o foco volta-se para o STF. Resta saber se a Suprema Corte manterá a blindagem institucional ao Banco Central ou se abrirá caminho para uma arbitragem política que pode custar bilhões aos cofres públicos em eventuais indenizações.
