Deepfakes
Redação 8k / Fotos: Arquivo
Publicado em: 26 de janeiro de 2026 às 23:51
O Brasil já vive o ápice do que especialistas chamam de “crise de confiança na imagem”: com fraudes por deepfake crescendo assustadoramente (alguns relatórios apontam alta de 900% no último ano), o rosto, que deveria ser a senha definitiva, tornou-se o elo mais fraco.
Abaixo, acompanhe a estrutura dos pontos centrais para essa cobertura, focando no cenário atual já no início de 2026:
- O Panorama: A explosão dos Deepfakes
As quadrilhas não estão apenas “enganando” o sistema; elas estão usando Inteligência Artificial Generativa para criar vídeos em tempo real que piscam, sorriem e movem a cabeça conforme a exigência do aplicativo do banco.
A “Morte” da Foto Estática
Fotos simples não servem mais como segurança. Criminosos usam “rostos virgens” (pessoas que nunca tiveram biometria cadastrada) ou manipulam digitalmente imagens de redes sociais para criar modelos 3D.
O Golpe do “Vídeo Invisível”
O fraudador instala um driver de câmera virtual no celular da vítima ou em um emulador, injetando o vídeo do deepfake diretamente no fluxo de dados do app bancário.
- A Defesa em 2026: Biometria Comportamental
Como o rosto pode ser forjado, os bancos mudaram o foco para como você age, e não mais apenas quem você é:
Telemetria de Movimento
O sistema verifica se o celular está sendo segurado por uma mão humana (que possui tremores naturais detectados pelo giroscópio) ou se está estático em um servidor de hackers.
Sequenciamento Comportamental
O banco analisa a pressão do seu toque na tela, a velocidade com que você digita e até o padrão de navegação. Se um “robô” ou um fraudador tentar fazer um PIX, o comportamento diverge do dono da conta e o bloqueio é imediato.
- O lado jurídico: O Banco é responsável?
Decisões recentes do STJ em 2025 e 2026 reforçaram a Responsabilidade Objetiva das instituições financeiras.
” O banco não pode transferir o risco do negócio ao consumidor. Se o sistema de biometria falhou e permitiu um empréstimo fraudulento, o banco deve indenizar, mesmo que tenha havido manipulação por terceiros.”
Esta é uma preocupação crescente e extremamente real. O avanço da tecnologia permitiu que criminosos desenvolvessem métodos sofisticados para enganar sistemas que, até pouco tempo, eram considerados “invioláveis”.
As quadrilhas não estão apenas roubando senhas; elas estão atacando a identidade digital do usuário. Abaixo, detalho como essas fraudes costumam operar:
Como as fraudes estão sendo executadas
- Ataques de “Injection” (Injeção de Dados)
Em vez de apontar a câmera do celular para o rosto de uma pessoa viva, os criminosos utilizam softwares que interceptam o sinal da câmera. Eles “injetam” um vídeo ou uma imagem digital de alta definição diretamente no fluxo de dados do aplicativo bancário. O sistema do banco “pensa” que a câmera está capturando uma imagem real, quando na verdade está recebendo um arquivo digital.
- Deepfakes em Tempo Real
Utilizando Inteligência Artificial, os fraudadores criam modelos 3D hiper-realistas a partir de fotos das redes sociais das vítimas. Esses modelos conseguem piscar, sorrir e mover a cabeça, enganando os testes de liveness (prova de vida) que os bancos exigem durante transações ou abertura de contas.
- Engenharia Social e Espelhamento
Muitas vezes, o golpe começa com uma ligação falsa do “suporte do banco”. O criminoso convence a vítima a instalar um aplicativo de acesso remoto (como o AnyDesk ou TeamViewer). Com o controle do celular, o fraudador pode manipular as permissões de segurança e capturar os dados biométricos enquanto a vítima tenta usar o aparelho.
- Máscaras de Silicone e Fotos de Alta Resolução
Em casos menos tecnológicos, mas ainda eficazes, utilizam-se máscaras de silicone detalhadas ou telas de tablets com fotos em altíssima resolução para tentar burlar sensores de reconhecimento facial mais simples que não possuem sensores de profundidade infravermelha.
Os Principais Riscos para o Usuário Abertura de contas laranjas
Criminosos usam sua identidade para abrir contas e tomar empréstimos.
Transferências via PIX
Uma vez dentro do app, burlam a biometria para autorizar transferências de altos valores.
Solicitação de novos cartões
Alteram o endereço de entrega após burlar a segurança facial.
Como se proteger?
Embora o sistema de segurança seja o alvo, você pode dificultar o trabalho das quadrilhas:
- Cuidado com a Exposição: Evite postar fotos de rosto muito próximas e em alta resolução em perfis públicos de redes sociais. Elas são a matéria-prima para deepfakes
- Duplo Fator de Autenticação (2FA): Nunca use apenas a biometria. Se o banco permitir, ative chaves de segurança físicas ou tokens que não dependam apenas do rosto
- Atenção a Aplicativos Estranhos: Jamais instale aplicativos a pedido de supostos funcionários de banco. Bancos nunca pedem para você instalar softwares de “varredura” ou “suporte remoto”.
- Limites de PIX: Mantenha seus limites de transferência baixos para o período noturno e para contatos não cadastrados.
