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Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança

Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança

  Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança.

Por Alberto Gallo

02 de jul de 2026 às 19:48

Na vida, existem eventos que, de tempos em tempos, marcam etapas de nossa existência. É o eterno retorno, mas não aquele circular e repetitivo. É como o interior de uma concha: cada volta da espiral repete a direção da anterior, mas em uma câmara maior, mais larga, mais aberta para o mar. Voltamos ao mesmo ponto — uma Copa do Mundo — mas nunca somos exatamente os mesmos que partimos.

A marcação do tempo pela Copa

Assistir a uma estreia de Copa do Mundo, especialmente em Copacabana, traz sentimentos
especiais. Lembro-me bem da curiosidade, lá por 1970, de imaginar como eu estaria nas
Copas do futuro. Projetava-me quatro anos à frente: o ginásio, a faculdade, o trabalho. Mal
imaginava que, em 2026, estaria assistindo à minha décima sexta Copa do Mundo.
Olhando para trás, percebo como essa marcação quadrienal organiza nossas lembranças.
Mudam os governos, mudam os empregos, mudam as fases dos filhos. Algumas pessoas
chegam, outras partem. E, de repente, a Copa está lá, funcionando como um marco temporal
em nossas vidas.

Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança.

Entre hinos e memórias

As músicas voltam. A Copa do Mundo é nossa… ou Noventa milhões em ação… Hoje,
somos mais de duzentos milhões. As letras permanecem, o país cresceu e a esperança de
levantar a taça resiste, com uma teimosia tipicamente brasileira.
Vi o Brasil ser campeão três vezes: 1970, 1994 e 2002. Presenciei derrotas amargas e
momentos de frustração, mas guardo a história de milhões de brasileiros que, assim como
eu, vivem esses ciclos de entusiasmo futebolístico que espelham as etapas de nossa própria
caminhada.

O verdadeiro significado: Pertencimento

No Rio de Janeiro, o hábito de pintar as ruas de verde e amarelo não é um movimento
político ou patriotismo formal. É algo mais simples: é pertencimento. Durante alguns dias,
deixamos de ser partidos, classes sociais ou grupos polarizados pelo ódio. Voltamos a ser
apenas brasileiros, unidos por um objetivo comum.

Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança.

O empate na estreia contra Marrocos trouxe o futebol sendo honesto com a vida: nem
sempre se ganha, nem sempre se perde. Segue o torneio, segue a esperança. Como disse o
Papa Leão XIV na véspera do Mundial: A vida não é uma competição para brilhar sozinho,
mas um caminho que aprendemos a percorrer juntos. Quem não sabe passar a bola, mesmo
que tenha talento, ainda não entendeu o jogo.

A magia do reencontro

A Copa não fala apenas de futebol. Fala do tempo, das pessoas que já não estão conosco e
das crianças que hoje assistem aos jogos sem perceber que, um dia, estarão fazendo as
mesmas contas que eu fazia cinquenta anos atrás.
Até que olharão para trás e descobrirão que a vida passa mais depressa do que imaginamos.

E que, no fim, valeu cada Copa!

Copa do Mundo 2026: uma viagem emocionante por lembranças e esperança.