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“O fim das filas no IEDE? Como o Big Data e a Telemedicina vão redefinir o combate ao diabetes no Rio”

“O fim das filas no IEDE? Como o Big Data e a Telemedicina vão redefinir o combate ao diabetes no Rio”

 

 

 

“O fim das filas no IEDE? Como o Big Data e a Telemedicina vão redefinir o combate ao diabetes no Rio”.ENTREVISTA:

Dr. Izidoro Flumignan

“Precisamos revolucionar usando a tecnologia para encontrar o paciente antes que a doença se agrave”, defende Dr. Izidoro Flumignan

Nomeado recentemente como Assessor de Diabetes do Lions LC-1, o médico e diretor científico da ACD (Associação Carioca de Diabetes), tem como projeto a proposição ao poder público sobre a construção de um hospital com atendimento online conectado ao IEDE e uso inteligente de dados de exames para salvar vidas, que será uma verdadeira revolução no Rio de Janeiro.

No dia 25 de julho de 2026, a governadora Silvia Regina nomeou oficialmente o médico Dr. Izidoro Flumignan como o novo Assessor de Diabetes do Distrito LC-1 de Lions Internacional.

Com sólida experiência clínica e atuação como diretor científico da Associação Carioca dos Diabéticos (ACD), o especialista assume a função com a missão de unir a força comunitária do voluntariado à inovação médica.

Nesta entrevista, Dr. Izidoro aborda o avanço conjunto do diabetes e da obesidade no estado, explica a necessidade de um hospital moderno com atendimento digital e detalha como o cruzamento de dados de exames laboratoriais pode evitar complicações graves na população.

Portal8k – Qual é a prioridade da sua atuação à frente da Assessoria de Diabetes do Lions LC-1?

Dr. Izidoro Flumignan – A nossa prioridade absoluta é a medicina preventiva e a educação em saúde. O Lions Internacional tem o combate à diabetes como uma de suas causas globais mais importantes no mundo inteiro. A nossa missão no Distrito LC-1 é levar mutirões de testes rápidos e informação clara para as ruas e comunidades. O diabetes é uma doença silenciosa, que muitas vezes não dói e não dá sinais nos primeiros anos. Quando facilitamos a triagem, conseguimos descobrir a alteração bem no início, permitindo que a pessoa comece a se cuidar antes de ter qualquer complicação séria.

Portal8k – Por que o diabetes e a obesidade são considerados hoje o maior desafio de saúde pública do mundo?

Dr. Izidoro Flumignan – Porque essas duas condições caminham juntas e crescem em ritmo acelerado em decorrência do sedentarismo e da alimentação rica em produtos ultraprocessados. Quando o diabetes não é controlado, ele vai danificando aos poucos os vasos sanguíneos e os órgãos vitais. O resultado disso são casos graves que poderiam ser evitados, como cegueira, problemas renais que exigem hemodiálise, infartos e amputações de membros. O impacto humano e os custos para a saúde pública são gigantescos.

Portal8k – O senhor defende um novo hospital especializado para o Rio de Janeiro, diferente dos modelos tradicionais. Como seria essa estrutura?

Dr. Izidoro Flumignan – Não podemos continuar pensando a saúde com as fórmulas do século passado, baseadas apenas em paredes, leitos e grandes atendimentos presenciais. O Rio de Janeiro precisa de um hospital moderno, altamente especializado, mas com forte atuação online e telemedicina. Esse modelo permite que um especialista atenda remotamente pacientes que moram em cidades distantes do interior, orientando os médicos dos postos locais sem obrigar a pessoa a encarar viagens longas e cansativas até a capital.

Portal8k – Como esse novo projeto se conectaria ao IEDE?

Dr. Izidoro Flumignan – O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE) é uma instituição histórica, com profissionais brilhantes e um papel fundamental para a medicina brasileira. No entanto, sua estrutura física envelheceu e hoje não tem mais capacidade de absorver o enorme volume de pessoas que precisam de atendimento em todo o estado. Um novo polo digital funcionaria integrado diretamente ao IEDE, descentralizando as consultas, desafogando as filas e dando suporte para que o atendimento chegue mais rápido a quem precisa.

Portal8k – De que forma o uso de “grandes dados” (Big Data) e a Lei da Hemoglobina Glicada de 2022 ajudam na prática?

Dr. Izidoro Flumignan: A vigilância moderna precisa agir ativamente, e não apenas esperar o cidadão chegar passando mal no pronto-socorro. A Lei da Hemoglobina Glicada, aprovada em 2022 no Rio, é uma ferramenta extraordinária para isso. O exame de hemoglobina glicada mostra a média real do açúcar no sangue dos últimos três meses. Pela lei, quando os laboratórios identificam exames com níveis muito alterados, esses dados alimentam o sistema de saúde. Com essa inteligência de dados, a equipe do posto de saúde consegue localizar a pessoa descompensada e chamá-la para ajustar a medicação a tempo, evitando internações e salvando vidas.