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Roberto Carlos entre o Mito e a Caricatura: O drama de um legado em risco no palco

Por que Roberto Carlos precisa entender que a hora de parar chegou?

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Publicado em: 3 de janeiro de 2026 às 14:18

 

 

O debate sobre a fase atual de Roberto Carlos reflete o dilema de muitos ícones que atingem a longevidade extrema na carreira. Aos 84 anos (em 2025), o “Rei” considerado por sua trajetória, devido sua grande contribuição para a cultura brasileira, como o artista mais importantes do século XX, mas que vem enfrentando hoje duras críticas, que oscilam entre o saudosismo e a percepção de um declínio técnico e comportamental.

E é essa análise que toca em um ponto sensível da cultura das celebridades: o “timing” da retirada. O contraste entre a memória do ídolo magnético da Jovem Guarda e o artista octogenário que hoje se apresenta é, para muitos críticos e fãs, uma experiência de luto em vida.

O drama de Roberto Carlos, agora em 2026, pode ser sintetizado em pilares que reforçam essa argumentação,         que é uma espécie de “ritualização vazia”, ou seja, o que antes era um espetáculo de gala tornou-se, para parte do público, uma coreografia mecânica.

Até a “Entrega das Rosas”, que era o ápice do romantismo, por vezes ganha contornos de cansaço físico e falta de espontaneidade. Isso acontece quando o cenário perde o viço e o roteiro se torna uma cópia carbono do ano anterior, o show deixa de ser arte para virar apenas um evento de “presença VIP”.

A tentativa de manter a relevância através de convidados de gêneros musicais distantes do seu (como o sertanejo universitário ou o pop atual) muitas vezes gera um estranhamento visual e sonoro, gerando de certa forma, um conflito com a própria modernidade

Em vez de rejuvenescer sua obra, essas “colaborações” podem acentuar o abismo geracional e a falta de sintonia com o presente.

Biógrafos e historiadores da música frequentemente debatem que o silêncio é a última grande obra de um gênio, parafraseando o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que refletia sobre o gesto do silêncio, que  seria prudente para preservação do mito e da lenda. É o prenúncio do encerramento, indicando que o silêncio é a “moldura” final; após dizer tudo o que era essencial, qualquer adição seria redundante. 

Ao não encerrar o ciclo, Roberto Carlos permite que as novas gerações o conheçam não pelos discos clássicos que lançou entre os anos 1970 até o final da década de 80, mas pelo contrário, Roberto Carlos está viralizando atualmente  por vídeos de celular que capturam falhas na voz ou tropeços no palco.

Embora o cronograma oficial de shows continue ativo, a discussão sobre o limite entre a resistência e a teimosia artística, é legítima. No entanto, é o medo do ostracismo que parece movê-lo a continuar, mas o paradoxo é que a superexposição em condições técnicas inferiores é justamente o que pode acelerar essa melancólica decadência de sua imagem.

Diferente de nomes como Pelé ou João Gilberto, que se retiraram de formas distintas, Roberto Carlos parece escolher o palco como seu último reduto, mesmo que isso signifique oferecer uma versão enfraquecida do gigante que ele foi. Para quem valoriza o legado, fica o desejo de que o “Rei” priorize a memória histórica sobre a urgência do aplauso imediato.

E assim, os principais pontos que sustentam essa visão de um “final melancólico” incluem episódios recentes sucessivos, como por exemplo, o vídeo viral de 2022 em que o cantor manda um fã “calar a boca” durante um show no Rio de Janeiro, que arranharam sua imagem de cavalheiro impecável. Esses momentos de impaciência tornam-se munição para as redes sociais, alimentando uma percepção de desconexão com o público atual.

Críticos musicais apontam que o repertório de Roberto pouco mudou em décadas. A dependência de arranjos datados e a dificuldade em atingir notas que outrora eram naturais, levam a apresentações que alguns consideram burocráticas ou “medíocres” com repetições e tom estagnado, em comparação ao seu auge nas décadas de 70 e 80.

O perigo não é o esquecimento total, mas a transformação da lenda em uma caricatura de si mesma. Ao insistir em turnês exaustivas e no tradicional especial de fim de ano da TV Globo — que sofre queda de audiência e relevância, ano após ano — ele se coloca em uma exposição negativa que sua biografia, até então intocada, não precisaria sofrer, mas corre o risco do ostracismo em vida

Por outro lado, defensores da tese de sua continuação nos palcos, e a equipe do cantor, que podem ser acompanhados pelo site oficial de Roberto Carlos, argumentam que ele continua lotando casas de shows e que sua presença no palco é um ato de resistência e amor ao ofício.

Mas para muitos, que prezam o seu imenso legado histórico, reconhecem que o drama de Roberto Carlos reside na dificuldade que o artista tem em aceitar o “crepúsculo” da carreira com a mesma dignidade com que viveu sua ascensão, preferindo o risco do desgaste público ao silêncio da aposentadoria.

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