Em inquérito por calúnia contra Lula, Flávio Bolsonaro entrega defesa por escrito à PF e nega acusação criminosa
Senador e pré-candidato à Presidência optou por não prestar depoimento presencial, encaminhando petição em que sustenta ausência de dolo e invoca imunidade e liberdade de expressão.
Brasília — O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entregou nesta terça-feira (28) a sua defesa por escrito à Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura a suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento presencial havia sido marcado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para as 14h, após a PF relatar dificuldades anteriores para o agendamento com a equipe do parlamentar. Flávio
A investigação teve origem em uma publicação feita por Flávio nas redes sociais no início de janeiro de 2026, na qual o senador citou o chefe do Executivo e listou acusações como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo ao mencionar acontecimentos políticos na Venezuela. Flávio
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, escreveu o parlamentar na ocasião.
Os Argumentos da Defesa Encaminhada à PF
Na petição entregue à corporação, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro rebateu a tese de que a postagem configure imputação falsa de crime contra o presidente da República. Os advogados alegaram que a publicação não continha acusações diretas, mas sim uma projeção sobre eventuais delações e acontecimentos futuros no cenário internacional.
Entre as justificativas apresentadas no documento entregue pelas bancadas jurídicas do senador, destacam-se:
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Conceito de Delação: A defesa alega que afirmar que alguém “será delatado” não equivale a uma acusação formal ou atribuição direta de crime, significando apenas que o nome da pessoa poderia ser citado em um depoimento.
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Contexto Geopolítico: Segundo os advogados, a lista de crimes citada na publicação referia-se a acusações formais atribuídas pelas autoridades norte-americanas ao governo da Venezuela, e não ao presidente brasileiro.
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Ausência de Dolo e Imunidade: A petição reforça que não houve intenção deliberada de ofender a honra de Lula e sustentou que as declarações estão respaldadas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar.
Próximos Passos e Avaliação do STF e PGR
Com a juntada da petição aos autos, a Polícia Federal analisará as justificativas apresentadas pelo senador antes de consolidar o andamento da investigação perante o relator do caso no STF.
Anteriormente, relatórios preliminares do inquérito apontaram que a postagem extrapolou os limites do debate político ao vincular o presidente da República a crimes tipificados no Código Penal. Caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes dar vista do processo à Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão competente para definir se apresenta denúncia formal contra o pré-candidato, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso.
O desfecho do inquérito ganha contornos decisivos para a corrida eleitoral de 2026, em meio às disputas jurídicas e às movimentações partidárias do PL para consolidar seus palanques nacionais.
