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Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após ser alvo de ações da PF

Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após ser alvo de ações da PF

Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após operação da PF revelar jantares de luxo e desvios bilionários

O cenário político do Estado do Rio de Janeiro sofreu mais uma reviravolta dramática. O ex-governador Cláudio Castro (PP) anunciou oficialmente a retirada de sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições de outubro. A decisão, comunicada publicamente, ocorre em meio ao desgaste provocado por novas e contundentes investigações da Polícia Federal (PF), que apontam um suposto esquema de corrupção e crimes financeiros envolvendo o fundo de pensão dos servidores estaduais e o Banco Master.

Em pronunciamento, Cláudio Castro afirmou que a desistência foi motivada por uma “profunda reflexão pessoal e familiar”, diante da forte exposição pública e do teor das acusações que têm vindo a público nas últimas semanas. O ex-governador declarou-se convicto da legalidade de todos os seus atos ao longo de sua trajetória pública e informou que, a partir de agora, concentrará todos os seus esforços e recursos técnicos na apresentação de sua defesa jurídica.

O Impacto da 8ª Fase da Operação Compliance Zero

A gota d’água para a sustentabilidade da campanha eleitoral de Cláudio Castro foi a deflagração da oitava fase da Operação Compliance Zero, liderada pela Polícia Federal. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador, incluindo sua cobertura de luxo localizada na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.

A investigação apura uma bilionária fraude contra o sistema financeiro nacional e o patrimônio público, focada em aplicações fraudulentas do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). Segundo os relatórios da PF, o esquema consistia no direcionamento irregular de recursos da previdência dos servidores públicos para a compra de Letras Financeiras e ativos estruturados emitidos e geridos pelo conglomerado do Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os investigadores apontam que, no total, quase R$ 3,7 bilhões foram transferidos do Rioprevidência para o Banco Master, driblando mecanismos internos de controle, compliance e alertas formais de risco emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A PF suspeita que as diretorias do fundo de pensão foram modificadas estrategicamente por influência política para facilitar o trânsito do dinheiro público.

Whisky de R$ 5 Milhões e Carne de Ouro: Os Luxos Bancados por Daniel Vorcaro (Cláudio Castro)

O relatório da Polícia Federal que embasou as buscas traz à tona detalhes minuciosos sobre a proximidade entre Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com as quebras de sigilo telemático e mensagens interceptadas, o dono do Banco Master financiava uma rotina de altíssimo luxo para o ex-governador no exterior, com eventos privados que coincidiam cronologicamente com as liberações de verbas do Rioprevidência.

O Sincronismo dos Aportes Financeiros

A Polícia Federal identificou o que classificou como uma “elevada coincidência temporal” entre agrados financeiros privados e aportes milionários de dinheiro público.

  • Jantares em Nova York: Em maio de 2023, durante agenda oficial nos Estados Unidos paga com diárias do Tesouro estadual, Castro jantou na badalada churrascaria Nusr-Et, do chef turco Salt Bae. Mensagens mostram Vorcaro orientando seus funcionários a servirem vinhos e champanhes franceses caríssimos (como Dom Pérignon e Cristal) e “cortes de carne folheados a ouro”. Uma das contas ultrapassou US$ 13 mil (mais de R$ 66 mil).

  • O Evento de US$ 1 Milhão: Em maio de 2024, também em Nova York, Vorcaro organizou uma exclusivíssima degustação de whisky escocês no The Carnegie Club, restrita a apenas dez convidados masculinos. O orçamento do evento, localizado nos e-mails do banqueiro, somou a cifra de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões na cotação da época).

O dado mais alarmante destacado pelos agentes federais é que, exatamente um dia após a realização desse evento milionário de whisky, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 80 milhões em papéis do Banco Master. A engenharia criminosa, segundo a denúncia, servia para garantir o retorno financeiro ilegal aos operadores do esquema.

O Tabuleiro Político-Jurídico no TSE e a Estratégia da Renúncia

Para além das investigações criminais da Polícia Federal, o futuro político de Cláudio Castro já estava gravemente comprometido na esfera eleitoral. Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria de 5 votos a 2 para tornar Cláudio Castro inelegível por um período de oito anos, contados a partir de 2022.

A condenação ocorreu em virtude do escândalo de abuso de poder político e econômico envolvendo a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) nas eleições de 2022, onde milhares de cargos temporários secretos teriam sido criados para funcionar como cabos eleitorais.

A Manobra para Forçar Eleições Indiretas

Prevendo o resultado desfavorável no Tribunal Superior Eleitoral, Cláudio Castro adotou uma controversa manobra política um dia antes do julgamento final: ele renunciou formalmente ao cargo de governador do Rio de Janeiro.

A renúncia estratégica de Castro alterou o rito sucessório do estado. Se ele permanecesse no cargo e fosse cassado pelo TSE, a legislação exigiria a convocação de novas eleições diretas (voto popular). Com a renúncia prévia, o cargo ficou formalmente vago por vacância civil, transferindo o comando interino para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, e obrigando a realização de uma eleição indireta conduzida pelos deputados dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Atualmente, a defesa do ex-governador aguarda o julgamento de recursos internos no próprio TSE, agendados para o próximo dia 2 de junho, na tentativa de reverter a inelegibilidade que o impede de disputar cargos públicos até 2030. No entanto, o avanço da Operação Compliance Zero inviabilizou politicamente a sustentação da sua pré-candidatura ao Senado pelo Partido Progressistas (PP), resultando na desistência anunciada nesta quinta-feira.

O que diz a Defesa de Cláudio Castro

Em nota oficial, o advogado criminalista Carlo Luchione, responsável pela defesa técnica de Cláudio Castro, informou que está finalizando a análise minuciosa de todo o material recolhido pela Polícia Federal e anexado ao inquérito supervisionado pelo ministro André Mendonça, no STF.

A defesa enfatiza que apresentará todas as manifestações e esclarecimentos cabíveis ao Poder Judiciário, reiterando que o ex-governador jamais participou de qualquer ato ilícito e que as decisões de investimento do Rioprevidência seguiam critérios técnicos de seus respectivos colegiados, sem qualquer interferência política direta do Palácio da Guanabara.