Por Dr. Izidoro Flumignan
Publicado em: 29 de março de 2026 às 12:48
A escalada das epidemias de diabetes e obesidade no Brasil e no mundo rompeu as barreiras da saúde para se tornar um dos maiores desafios econômicos e sociais do século. Este cenário exige que, nas eleições de 2026, os candidatos apresentem propostas concretas que unam legislação, medicina preventiva e tecnologia de ponta. Não há mais espaço para negligência.
O Custo Bilionário da Doença no Brasil
O tratamento do diabetes é um sorvedouro de recursos públicos. De acordo com o prestigiado IDF Diabetes Atlas 2024/2025, da International Diabetes Federation, o Brasil ocupa a 3ª posição mundial em gastos diretos com a doença, somando cerca de R$ 235,6 bilhões (USD 45 bilhões, na cotação de fev/2026). Ficamos atrás apenas de potências econômicas como Estados Unidos e China.
Quando ajustamos pelo tamanho da população e o volume da economia, a conclusão é alarmante: o Brasil é o país que mais investe no atendimento das pessoas com diabetes do mundo. O alto consumo das “canetas emagrecedoras” no mercado privado só corrobora a dimensão da necessidade do tratamento.
Entretanto, basear a política pública apenas no fornecimento de medicamentos caros para a doença já estabelecida é um erro estratégico. A CONITEC agiu corretamente ao rejeitar a incorporação da semaglutida (Ozempic) no SUS em 2023, devido ao seu custo insustentável para o orçamento do Ministério da Saúde.
O Exemplo do Rio de Janeiro: Enxugando Gelo com Toalhas de Ouro
No Estado do Rio de Janeiro, a situação é emblemática. Dados da Associação Carioca dos Diabéticos (ACD) indicam que, em 2022, havia mais de 2,2 milhões de pessoas com glicemia alterada, a maioria acima do peso e com indicação para uso da Semaglutida.
Como diretor científico da ACD, estimo que 1,5 milhão de fluminenses tenham indicação médica para o medicamento. Se o governo estadual decidisse atender a todos, o custo anual seria de R$ 9 bilhões apenas com este remédio.
“Este caminho é enxugar gelo com toalhas de ouro.”
A prefeitura do Rio, pioneira ao dispensar a Semaglutida no SUS para 320 pacientes com um genérico, projeta gastar R$ 60 milhões por ano para atender apenas 10.000 pacientes. Fica evidente que a conta não fecha. O sistema de saúde brasileiro não pode se dar ao luxo de ser uma “fábrica de consertos” para uma “fábrica de obesidade” movida pela macroeconomia estrutural e o marketing de ultraprocessados.
A Solução: Prevenção Primária com a Lei da Hemoglobina Glicada e IA
A verdadeira solução reside na prevenção primária de alta precisão. É preciso interromper o ciclo da obesidade e do diabetes antes que eles se tornem condições crônicas irreversíveis.
Neste cenário, a ALERJ (Assembleia Estadual do Rio de Janeiro) https://www.alerj.rj.gov.br/ assumiu um papel de vanguarda ao promulgar a Lei da Hemoglobina Glicada, uma iniciativa da ACD.
A Hemoglobina Glicada é a “chave mestra” da prevenção primária. Este exame, barato e amplamente disponível, revela a média glicêmica dos últimos 3 meses.
Como a IA Transforma a Lei em Resultados
Neste Infográfico exclusivo do Portal 8k, destaca o contraste entre o custo bilionário da doença e a solução inovadora que une a Lei da Hemoglobina Glicada, IA e Medicina de Família para a prevenção.
A implementação da lei exige que os laboratórios comuniquem os resultados alterados à Secretaria Estadual de Saúde (SES-RJ), criando um banco de dados contínuo sobre diabetes e excesso de peso. O grande diferencial ocorre quando analisamos esses dados com sistemas de Inteligência Artificial.
- IA Identifica Padrões: A tecnologia detecta padrões estatísticos e localiza, com precisão cirúrgica, cada cidadão em fase inicial de ganho de peso ou pré-diabetes.
- Ação Territorializada: A IA permite que a Medicina de Família atue preventivamente, ajustando tratamentos e orientando mudanças de hábitos antes que a doença evolua.
Este modelo inovador, que articula Lei + IA + Medicina de Família, cria um ciclo virtuoso: reduz custos, melhora a qualidade de vida e fortalece o equilíbrio financeiro do sistema de saúde (público e privado).
Eleições 2026: Por uma Central de Vigilância Epidemiológica Inteligente
| Área de Impacto | Modelo Reativo (Atual) | Modelo Preditivo (Com IA) | Potencial de Economia |
| Diabetes (Insumos) | Distribuição linear (desperdício) | Distribuição por demanda prevista | 15% a 20% |
| Complicações (Internações) | Tratamento de casos agudos | Intervenção precoce em casa | 30% |
| Logística de Remédios | Estoques expirados/faltantes | Gestão inteligente de estoque | 25% |
O Ministério da Saúde já avança na construção de uma rede de hospitais inteligentes. O Rio de Janeiro deve aproveitar seu pioneirismo legislativo para criar uma Central de Vigilância Epidemiológica Inteligente, dedicada à obesidade e ao diabetes.
O Retorno sobre o Investimento (ROI) Social (H2)
Investir em IA na saúde pública brasileira apresenta um “payback” social rápido. Ao automatizar a análise de exames simples, como a retinografia, o sistema libera médicos especialistas para casos que realmente exigem intervenção humana.
- Curto Prazo: Redução no tempo de espera para diagnósticos críticos.
- Longo Prazo: Aumento da expectativa de vida saudável da população economicamente ativa, reduzindo gastos com previdência e auxílio-doença.
Conclusão: Tecnologia como Ferramenta de Equidade
O custo-benefício da IA no SUS se justifica pela sua capacidade de escala. Em um país de dimensões continentais, a tecnologia é a única forma de levar medicina de precisão a quem está longe dos grandes centros. O desafio não é tecnológico, mas político e orçamentário: migrar o gasto da “cura” para o investimento na “prevenção inteligente”.
Nas eleições de 2026, a ACD entende que há urgência de que o vencedor do pleito priorize em seu programa de governo esse divisor de água na Saúde Pública que é a visão necessária para compreender que investir em prevenção inteligente não é um gasto, mas uma estratégia de sustentabilidade para a própria Saúde Pública fluminense.https://www.alerj.rj.gov.br/


